domingo, 30 de setembro de 2018

É metrô mas pode chamar de palco

No metrô cheio, recém musicado por sei-lá-quem-teve-a-brilhante-ideia-
de-tocar-música-clássica-entre-as-estações-de-metrô,

Como se estivéssemos coreografados, em sintonia de Marius Petipa

Olhei por cima do ombro direito,que segurava o peso de todo meu corpo por pura necessidade de contrariar a inércia

E nossos olhos desinteressados se encontraram, claro,  desinteressadamente.

Cada um se recolheu e voltou para o próprio viver de dia a dia que é estar em um metrô lotado com gente desconhecida a toda parte,sem claro, esquecermos da música que a pouco passou a figurar a cena cotidiana.

Levantei o olhar mais uma vez , mas dessa vez, interessada, tão interessada que me passou despercebido que a sua estação já havia passado e você havia desembarcado sem ao menos concluirmos nosso pas de deux.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Comodidade

Hoje foi o primeiro dia, desde a mudança, que  pensei em perguntar se faço falta, ou se já se acostumaram com a minha ausência.

Não perguntei, com medo da resposta não ser nada confortável.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Desvendando minh'alma #DoRascunhoAoEffusus

Hoje ouvindo funk
A cada batida do pancadão
Uma lagrima corria meu rosto
Eu nunca tive prova
Mais transparente
Da confusão que é a minha alma.

Bom dia

Acordei com vontade de socar o mundo.
Devolver um pouco do que ele fez comigo

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Do rascunho ao Effusus #ViajanteDeComentários

Uma fatalidade doce que me ocorre ao viver em uma época onde pessoas se montam e desmontam para parecer o que não são na infinidade da conexão que as redes sociais ou anti-sociais nos proporcionam, é o fato de poder conhecer, sem conhecer, apenas imaginar, sem saber o que está imaginando, o dia a dia, a efemeracidade daquela pessoa que por um descuido apareceu em minha tela, a qual anteriormente estava aberta em uma sequencia de comentários que incluía um de sua autoria, e o desta pessoa me chamara atenção. Quando percebo estou já nos amigos dos amigos dela, e já tenho em mente sua rotina, seu trabalho, até mesmo angustias quando as legendas das fotos ultrapassam a superficialidade.
Gosto de viver neste mundo do conhecer não conhecendo, pois tenho curiosidade a respeito do que ele pode trazer para mim.
Só não gosto mesmo, da obrigação que sinto, de deixar minhas informações também a deriva de um viajante qualquer de comentários.

Nina Moluvi

Do rascunho ao Effusus #MePassaOInstaFê

Acordei cedo e nos minutos sonolentos antes de saltar da cama, movimentei-me quase involuntariamente para pegar o celular, ao desbloquear a tela que descansava do lado esquerdo da cabeceira, o livro do desassossego estava aberto em uma de suas melancólicas páginas. De supetão, como uma visão que me assombrasse, me veio o pensamento: qual teria sido o user do Instagram de Fernando pessoa? Se fosse ele jovem brasileiro como eu e vivendo em minha época. Seria ele ainda assim um gênio? Teria ele tinder e passaria noites em claro assistindo Netflix? Seria ele um garoto cheio de curtidas? Ou o seu perfil sera de fotos aleatórias e feed desorganizado? Como se comportaria? Sua escrita seria a mesma? E seus heterônimos teriam perfis falsos no Facebook? Perderia ele tempo passando a timeline ? Quem seriam seus amigos? Quem compraria seus livros? Seria ele parte integrante de grupos de discussões artísticas, tal como vivieuvi? Ou seria criador de memes? Será que ela teria cursado letras na Unifesp com a nota do ENEM?Ou prestado FUVEST? 


Nina Moluvi

Quando Clarice faz sentido

As crises aqui continuam, agora mais fortes e complexas, mais densas e cheias de ódio. 

Aprendi porque adultos não sonham tanto e a razão de serem tão desacreditados. 

Me recuso a amadurecer neste aspecto.

Sou cheia de convicções e minha busca por ideais e argumentação não para. 

Infelizmente de alguma forma algo se perdeu, algo que eu admirava em mim: 
minha inteligência, aquela afirmação de que eu era mais capaz e mais esperta, sagaz !Os textos tinham mais vocabulário e eram melhor construídos. 

Minha memória não falhava com tanta frequência, mas eu tinha medo de me expor. Depois que o fiz, emburreci, ou será que entendi que para ser mesmo inteligente é preciso ter inteligência? 

Curioso ainda me vir a cabeça aquele eu de 16 anos! Custo a acreditar na idade que tenho e no puco que vivi.

Tenho sede por experiências e descobertas, por esse motivo me assusta o costume a consuetudinariedade de tudo. 

Nina Moluvi

O som (dor) da perda


O SOM QUE MEU PEITO APRENDEU
A EMITIR
INEVITAVELMENTE 
REPETIDAMEMTE 
INCANSAVELMENTE
DE FURADEIRA ATRAVESSANDO PAREDE
E BRITADEIRA INDO CONTRA O SOLO
PERSISTE. 
19.02.2018
Karina Monteiro