domingo, 17 de novembro de 2019

o ativismo do século xxi

Crio o meu discurso, 
Imitando o de quem admiro, 
Reproduzindo letra por letra, 
Mesmo sem entender tudo, 
Apenas repito e reproduzo. 
Ele sabe o que está falando, 
Por tabela, eu vou estar sabendo.
Minha própria opnião, 
Nas minhas próprias palavras, 
Não servem muito para o texto que estou produzindo, 
Nem para a discussão que vou querer entrar.
Meu argumento não é meu, mas assim prefiro. 
Se é para escolher um lado, que seja bem escolhido. 
Pois tudo, da escolha em diante, terá de ser assim. 
Ele diz, 
Eu digo, 
Brigo com quem discorda, 
Fico bravo, 
Destemido, 
Rancor e ódio. 
Iihh olha lá
Ele mudou, 
Não deixe que saibam. 
Pera lá, 
Ele falou. 
Vou repetir, 
Reproduzir. 

Haverá o dia em que estaremos satisfeitos? 

viajar

Fui para o Canadá procurando algo que não sei o que era, mas que sei que encontrei. 
Eu me fiz querida, ouvida e presente. 
Observei. Esse é meu maior hobbie, afinal.
Fumei. Mais uma viagem, me vi com a reação mais linda e pura. 
Fiz amizades e entendi coisas. 
Fiquei com vontade de voltar. 
Passei por bons apuros em aeroportos. 
Conheci as Cataratas, e Toronto, e Montreal, e Nova York.
Fiquei com vontade de morar. 
Nova York me hipnotizou por poucas horas. 
Tiveram dias que tudo fez senrito. 
E outros que eu só queria voltar. 
Hoje isso tudo e muito mais são memórias minhas, que as fotos não puderam capturar. 
O mapa mental da casa em que morei, da escola que frequentei, do caminho que o ônibus fazia, o caminho que eu me acostumei a fazer. 
As lojas que entrei, cafés e sorvetes que tomei. 
Aventuras nas quais me meti. 
Gringos que conheci.
A gay village.
As drags.
As exposições artísticas.
Histórias que compartilhei. 
O por do sol, o nascer dele. 
Os parques, as festas, karaoquês, a EVO.
A maconha, as frutas, a comida apimentada, o café com leite de amêndoas.
Os músicos de rua. 
A beleza da cidade antiga. 
O porto, os fogos de artifício. 
Os monumentos, a basìlica que me fez chorar ao agradecer a Deus. 
O hotel em New Jersey. 
O jantar no Tim Hortons entre Toronto e Montreal.
As risadas e reviradas de olhos. 
Os programas de tv repetidos. 
A netflix com a host family. 
As casinhas parecidas. 
O consumismo exacerbado.
A consciencia diferente.
A discussão que está em outro nível de lugar de fala.
Os abraços, as palavras novas.
Os jogos, os seminários.
Os murais, a explicação da política do Brasil em outra língua.
A amizade alemã, mexicana, chinesa, japonesa, argentina, colombiana e brasileira.
Capixabas, cariocas, paulistas, mineiros. 
Talvez aqui nunca iremos nos ver, mas lá, eramos próximos. 
A cerveja quente. 
A festa no quintal. 
As danças em festivais.
O cinema.
A dollorama.
A simplicidade.
O tempo que passa em outro tempo.
As obras eternas.
Os brunchs.
As cores, as pessoas, o francês.
O trem do aeroporto, o metrô.
Os protestos.
A agência de intercâmbio.
Agora tudo isso é parte de quem eu sou e de quem eu fui. 

p r o d u ç ã o

O que produzo
É produto de min
Ou produto de algo
Já produzido 
Por aquele que  me produziu
Vendendo a mim 
A própria produtividade 
Que de própria  e produtiva 
Nada tem ?