domingo, 17 de novembro de 2019

Haverá o dia em que estaremos satisfeitos? 

viajar

Fui para o Canadá procurando algo que não sei o que era, mas que sei que encontrei. 
Eu me fiz querida, ouvida e presente. 
Observei. Esse é meu maior hobbie, afinal.
Fumei. Mais uma viagem, me vi com a reação mais linda e pura. 
Fiz amizades e entendi coisas. 
Fiquei com vontade de voltar. 
Passei por bons apuros em aeroportos. 
Conheci as Cataratas, e Toronto, e Montreal, e Nova York.
Fiquei com vontade de morar. 
Nova York me hipnotizou por poucas horas. 
Tiveram dias que tudo fez senrito. 
E outros que eu só queria voltar. 
Hoje isso tudo e muito mais são memórias minhas, que as fotos não puderam capturar. 
O mapa mental da casa em que morei, da escola que frequentei, do caminho que o ônibus fazia, o caminho que eu me acostumei a fazer. 
As lojas que entrei, cafés e sorvetes que tomei. 
Aventuras nas quais me meti. 
Gringos que conheci.
A gay village.
As drags.
As exposições artísticas.
Histórias que compartilhei. 
O por do sol, o nascer dele. 
Os parques, as festas, karaoquês, a EVO.
A maconha, as frutas, a comida apimentada, o café com leite de amêndoas.
Os músicos de rua. 
A beleza da cidade antiga. 
O porto, os fogos de artifício. 
Os monumentos, a basìlica que me fez chorar ao agradecer a Deus. 
O hotel em New Jersey. 
O jantar no Tim Hortons entre Toronto e Montreal.
As risadas e reviradas de olhos. 
Os programas de tv repetidos. 
A netflix com a host family. 
As casinhas parecidas. 
O consumismo exacerbado.
A consciencia diferente.
A discussão que está em outro nível de lugar de fala.
Os abraços, as palavras novas.
Os jogos, os seminários.
Os murais, a explicação da política do Brasil em outra língua.
A amizade alemã, mexicana, chinesa, japonesa, argentina, colombiana e brasileira.
Capixabas, cariocas, paulistas, mineiros. 
Talvez aqui nunca iremos nos ver, mas lá, eramos próximos. 
A cerveja quente. 
A festa no quintal. 
As danças em festivais.
O cinema.
A dollorama.
A simplicidade.
O tempo que passa em outro tempo.
As obras eternas.
Os brunchs.
As cores, as pessoas, o francês.
O trem do aeroporto, o metrô.
Os protestos.
A agência de intercâmbio.
Agora tudo isso é parte de quem eu sou e de quem eu fui. 

p r o d u ç ã o

O que produzo
É produto de min
Ou produto de algo
Já produzido 
Por aquele que  me produziu
Vendendo a mim 
A própria produtividade 
Que de própria  e produtiva 
Nada tem ? 

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Adultos sufocam

Quanto mais a gente cresce, mais abafados ficam os gritos de socorro quando chegam a nossa orelha.
Nossa visão se torna turva, face a sensibilidade do outro.
Nossos corações se fixam mais na função de bombear sangue e não de mover novas paixões.
Mais e mais, nossa boca se cala, repete e reproduz.
Mais nosso nariz se torce, em desaprovação e desencorajamento.
Ah se ao menos crescer fosse sinônimo de sabedoria e não de sobrevivência...

domingo, 6 de janeiro de 2019

Sobre a vida e o tempo

JÁQUETUDOESTÁSEATROPELANDOPASSANDORÁPIDODEMAISTÃODEPRESSAQUE NÃOCONSIGUIMOSACOMPANHARNADA MAISJUSTOQUEAPROVEITARASEFEMERIDADES

Bauman, me ensine a domar minha modernidade líquida!

E o garoto adolescente, inquieto, se pergunta:
Se eu te mandar uma mensagem dizendo que enquanto vasculhava meus sentimentos, tua face era constante e as imagens de nós dois num futuro conjugal eram frequentes e tão reais, como você responderia ao texto impulsivo e mascarado de "eu te amo" que na verdade saiu um pouco mais parecido com
" e aí, novidades!?" ?

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Cheiro do conhecer

Não esqueceremos nós, 

Que, o cheiro de livro novo,

Recém-impresso,

Só é bom e refrescante

Se o autor deste se deu ao luxo de ignorar a sinusite que atacou,

Devido ao convívio com mofos e ácaros 

Daqueles outros livros que um dia já refrescaram oufatos.


Nina Moluvi