Atmosfera de feriado me deixa assim meio impaciente, acordei querendo vida, querendo ver, querendo ser, e não podendo.Meus pais são conservadores, e eu preguiçosa, tenho ônibus, trem e metrô, mas prefiro ir de carro. Resultado: fiquei em casa e tive que mergulhar na melancolia e na vontade que só fica teimando.
Peguei o controle, fiz o que tinha que fazer, para honrar minha condição de adolescente do século XXI, peguei o computador, abri as redes sociais, só veio peixe estragado, sem conteudo, desisti.Achei então no Arte 1 o que faltava, aquilo que eu estava com vontade, e então descobri: estava com vontade de arte.
Nele passava um documentário sobre literatura, nele, conheci um senhor que dizia E AGORA JOSÉ?, mas ele não declamava, ele cantava, dando uma melodia linda ao poema de Drummond, eu fiquei fascinada e este mesmo homem vestia frases, vestia poemas, vestia história, vestia um chapéu também cheio de dizeres.
E eu ainda conseguia ver pessoas julgando-o dizendo que ele só vestia papéis avulsos, ele tinha em sua casa milhões de livros.Me encantei com o acervo pessoal, que a mulher dele queria tanto jogar fora , mas por fim compreendeu quem tem cede não pode viver sem água.
Passando os olhos por tudo o que vi naquele documentário, e pescando as imagens que marcaram, cresce em mim mais uma vez a raiva, raiva essa de saber que tudo eu tenho e nada faço. Muita informação, pouca vontade, ou muita vontade e informação e pouco incentivo, porque eu não vou a bibliotecas? Por que não saí hoje para assistir Homem de La Mancha ou Uma Gaivota que estão gratuitas?Por que continuo me contentado em estudar para o vestibular diariamente, decorando formulas e exercícios que daqui a um tempo me doerão somente um cabresto e mais uma vez ficarei na vontade de ser? Queria poder ser menos eu e mais a juventude, que age por si e faz besteiras, quero errar, quero levar bronca, quero sair de casa e voltar tarde, quero ter 17 anos, quero porque tenho e não uso.
O leitor a essa altura (seja lá se existe ou não) já deve ter voltado aos seus afazeres que com certeza são bem mais interessantes e produtivos que os meus, e é bem isso, ser produtivo, é isso que preciso aprender a ser, usar tudo que vejo e tudo que tento ser mas não consigo.
Será que eu tenho medo ou sou só idiota mesmo? Os dois? Os dois.
Nina Moluvi
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