domingo, 22 de novembro de 2015

Aqueles contos falidos

  Um homem baixinho, calvo, de olhos perdidos e mãos calejadas que carrega  uma mala de viagem grande, repleta de bolsos com um cadeado travando o maior deles, sobre no transporte público pela porta do meio, todos o observam fazer força para levantar a mala e deposita-la no chão do coletivo antes de se posicionar para subir os pequenos degraus que o levam para o interior do carro, nenhum dos presentes se habilita a ajuda-lo.Após o exercício feito, o homem que agora fica mais visível, fazendo saltar as rugas ao redor de seus olhos, em sua testa e as veias ressaltadas da mão que grosseiramente leva ao bolso de sua calça e retira um papel já bem amassado para enxugar singelas gotas de suor que se fixaram em seu rosto.Ele anda pelo corredor levando com dificuldade a mala, quando se recorda de que não pagou a passagem e retorna a posição anterior, e aproximando-se do cobrador, entrega seu cartão para que o valor seja descontado, feito isso, retorna a sua saga a procura de um acento, ele se acomoda em um dos bancos reservados do lado esquerdo do corredor, antes de sentar ajeita sua mala no espaço que fica entre os bancos, pedindo desculpa com um gesto de cabeça para a mulher de bolsa vermelha e fones de ouvidos brancos por ter acidentalmente encostado a mala em suas pernas, segura-se com mais força para manter o equilíbrio pois o ônibus já chegou ao ponto seguinte, se acomoda no banco, e respira profundamente por um tempo, como se para acalmar seu corpo de tanta atividade.  Me pego perguntando a mim mesma o porque escolhi acompanha-lo neste pequeno momento, e por um instante me pergunto também  qual seria o conteúdo daquela mala?O que será que ele já fez na vida  que o levou a calejar as mãos? E se ele não tivesse pago a passagem, será que algum passageiro se incomodaria? O fato de ser calvo seria por stress ou genética?  Dispersos meus pensamentos vagueiam entre suposições, imagino situações e histórias a cerca de sua vida e do conteúdo em sua mala, tento até mesmo analisar sua personalidade.Mas todo o entusiasmo em tentar romantizar e fabricar um conto advindo deste simples senhor que pegou o mesmo transporte que eu, logo se esvai quando percebo, que entre todas as suposições e inferências, em momento algum me preocupei em dar-lo um nome, apenas o encaixei em esteriótipos e o inseri em ações cinematográficas sem nem mesmo querer saber sua identidade.  Coloco os fones de ouvido e me concentro na música antes que fique transparente demais a minha indiferença.

Nina Moluvi 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Do Rascunho ao Effusus #SeNadaDerCerto

Na reta final desta jornada educativa no colégio, minha turma resolveu seguir a tradição dos aulos dos anos anteriores com a chamada semana temática, um dos dias desta semana denomina-se :SE NADA DER CERTO.
No dia citado, não fui a aula, uma vez que não imaginava o que seria "dar certo", e se teria como " não dar certo", uma vez que por mais que todos os meus objetivos já estejam traçados, e outros tantos possam surgir se  um dos anteriores a eles não acontecerem.
Refletir acerca disso me deixou deliberadamente desesperada. Não tenho como saberse meu futuro "daria certo" , isso me angustiou e fez com que lágrimas sem credibilidade me fizessem melhor, sem qualquer equívoco, acredito na minha capacidade,porém me parece que hoje isso só não basta, nem talento nem dedicação, nem esforço, vejo-me de certa forma sucumbida a sorte.

Espero que tudo que não de certo de certo por fim.


Nina Moluvi

NARRANDO 18/07

NARRANDO 18/07
Dia cansativo, de muita atividade física, pouco tempo para comer, muito para pensar.
Pela manhã achocolatado seguido de Sucrilhos e bolacha água e sal. 
Em seguida, desfazer a mesa do café, subir, arrumar os quartos, "estique bem o lençol".
Hora de organizar a mochila, que leva as trocas de roupas necessárias.
Já preparada, collant, meia, sapatilhas, cabelo preso.
Chegando na Cia. com o ônibus executivo a espera.
Viagem demorada, confusa, mas cheia de risadas.
Chegamos, dançamos, fizemos, limpamos, levamos bronca.
De volta a Cia, a tarde estava perto do seu fim.
Observar a paisagem enquanto conversas paralelas divertem a mente, até a noite chegar, assim como minha progenitora em seu modesto Palio branco.
Finalmente em casa, o mais novo chegou, com o nosso paizão e medalha no peito!Campeão, mais um orgulho, a mais velha não está, foi curtir sua juventude, assim como um dia farei.
Banho gelado, toalha molhada, calcinha lavada debaixo do chuveiro com o sabão que sai do corpo.
Pijamas, computador, "A pizza chegou".
Lá se foram dois pedaços e meio, muzarela, portuguesa e mais meio de muzarela, coca gelada.
Culpa pós refeição suicida, medo de nunca conseguir perder tantas calorias.
Autopunição (mental) , desolação, cama.
Computador ligado, Netflix, INTO THE WILD.
Me pego refletindo, com vontade de registrar como passei o dia.
Queria ter lido um pouco, vou ler.
Banheiro, chocolate das 24 hrs, higiene bucal, arrependimento.
Reflexões.
Livro.
Cansaço.
A espera do trem para outra dimensão.
Boa noite/dia.


Nina Moluvi